Por Marcelo Brandão
A Reforma Tributária já integra o planejamento das micro e pequenas empresas (PMEs), mas o mercado ainda está em processo de análise e adaptação ao novo modelo.
Segundo o Panorama PME da Serasa Experian, 42% das empresas afirmam que ainda estão avaliando como a mudança poderá impactar seus negócios. O dado indica que, embora o tema esteja mais presente no debate empresarial, parte relevante do mercado ainda busca traduzir a nova estrutura tributária em decisões práticas de gestão, como revisão de preços, projeções de margem e adequação de processos internos.
Cenário dividido entre as PMEs
Ao mesmo tempo, o levantamento revela um cenário dividido. Cerca de 31% das empresas enxergam a Reforma de maneira predominantemente positiva, enquanto aproximadamente 22% têm percepção mais negativa. A leitura conjunta dos dados indica que o mercado ainda passa por um período de acomodação e interpretação estratégica da mudança, com diferentes expectativas sobre seus efeitos no ambiente de negócios.
Além da percepção sobre os impactos, o estudo mostra que 40% das PMEs não sabem em que estágio de preparação se encontram. Sinalizando, assim, que parte relevante do empresariado ainda está estruturando diagnóstico e planejamento para a transição.
Por outro lado, há empresas em estágio mais avançado: 17% afirmam já ter implementado a maior parte das adaptações necessárias, enquanto 15% dizem ter iniciado planejamento e ações práticas. Outros 14% estão estudando o tema, e 14% ainda não começaram a se preparar.
“A Reforma Tributária representa uma mudança estrutural relevante para o ambiente de negócios no País e sabemos que é um tema complexo, que ainda gera muitas dúvidas no empreendedor brasileiro”, afirma Cleber Genero, Vice-Presidente de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian. “Os dados mostram que as PMEs estão acompanhando esse movimento, mas em diferentes estágios de adaptação. Nosso compromisso é traduzir essas mudanças em linguagem simples e oferecer ferramentas práticas para que as empresas façam essa transição com segurança e previsibilidade.”
PMEs e a Reforma Tributária
- 42% das empresas ainda estão avaliando o impacto da mudança;
- 40% não sabem em que estágio de preparação se encontram;
- 17% implementaram a maior parte das adaptações necessárias;
- 14% ainda estudam o tema, ou não começaram a se preparar.
Desafios vão além da legislação
Quando questionadas sobre os principais obstáculos diante da Reforma Tributária, as empresas apontam sobretudo desafios operacionais e financeiros. Entender as novas regras (20%) aparece como a principal dificuldade, seguido pela necessidade de avaliar o impacto em custos, preços e margens (18%). Também surgem preocupações relacionadas ao cumprimento correto das obrigações fiscais (17%) e ao acompanhamento contínuo das mudanças regulatórias (16%).
Além disso, 11% mencionam a necessidade de ajustar sistemas e softwares, e outros 11% indicam a importância de treinar equipes para lidar com as novas exigências. Para 10%, acompanhar futuras regulamentações será um ponto de atenção, enquanto 9% citam a organização de informações para o período de transição, e 8% destacam o desafio de comunicar mudanças a clientes e fornecedores.
O perfil dos respondentes
Entre as empresas ouvidas, 39% são MEIs, 20% microempresas e 12% empresas de pequeno porte, reforçando a representatividade do universo de micro e pequenos negócios. Também participaram empresas médias (11%) e grandes (19%).
Em relação ao regime tributário, 46% estão no Simples Nacional, regime que continuará com tratamento diferenciado mesmo após a implementação do novo modelo tributário. Com a adoção do novo modelo baseado em créditos ao longo da cadeia, acompanhar como essas dinâmicas podem influenciar relações comerciais será parte do processo de adaptação para muitas PMEs. Já entre os demais respondentes, 10% estão no modelo de Lucro Real e 9% no Lucro Presumido.
Setorialmente, predominam empresas de Serviços (45%) e Comércio (39%), com participação da Indústria (16%). Regionalmente, o Sudeste concentra 36% dos respondentes, seguido por Sul (23%), Nordeste (15%), Norte (14%) e Centro-Oeste (10%).
Vale lembrar que a Reforma Tributária prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.
A transição está em início, em caráter experimental, e seguirá de forma progressiva até 2033, período em que empresas deverão conviver com dois sistemas tributários.
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