Companhias se adaptam aos novos tributos

As empresas já estão fazendo cálculos dos impactos que a Reforma Tributária trará aos seus negócios e capacitando equipes para enfrentar as mudanças de regras e de operações que o novo sistema tributário requer. Embora a implantação da reforma seja faseada, com etapas a serem cumpridas até 2033, não dá para perder tempo, já que em 2026 iniciam-se a as primeiras obrigações.

O Martins, grupo atacadista com sede em Minas Gerais, que fatura cerca de R$ 7 bilhões por ano, já trabalha nas adaptações. Guilherme Paiva, diretor jurídico, conta que foi montado um projeto interno para conduzir as mudanças. “Estamos na fase de capacitação, fazendo uma rodada com todos os executivos do grupo, que apontamos impactos nas suas respectivas áreas”, disse ele durante evento para debater a reforma promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP), há alguns dias.

Segundo Paiva, o Martins atua em 5.556 municípios, com vendas de cerca de 200 mil itens, e centros de distribuição em todos os Estados. “Temos 4 mil representantes comerciais, numa operação muito complexa. Nossa área tributária tem uma atuação hercúlea”, afirma. “Esta é uma reforma do negócio e não apenas uma mudança de tributos.”

O executivo do Martins avalia, inclusive, que ela pode provocar mudanças no seu modelo. “No nosso negócio, a logística impacta significativamente. Com a reforma, o que temos hoje vai mudar. Temos que avaliar a necessidade de manutenção de todos os centros logísticos. Isso porque, pós-reforma, a avaliação da logística não será mais por uma rota tributária, e sim do ponto de vista de custos.”

Carolina Rodrigues, diretora jurídica da Microsoft, lembra que o setor de tecnologia passou por uma “discussão enorme” sobre se sua tributação deveria ser no município ou no Estado, sem chegar a um consenso. “A cobrança do imposto onde o serviço é consumido resolve muitas questões”, disse ela, durante o evento do Ibef. “A reforma tem muito a agregar ao setor de tecnologia. Como um todo, são muitos benefícios. Mas o período de teste de um ano dá tranquilidade para que seja implementada.”

A diretora da Microsoft se refere à obrigação que as empresas terão em 2026 de aplicar a primeira fase da reforma. No ano que vem, está prevista a cobrança de uma alíquota de 1% referente ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) – federal – e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) – para Estados e municípios -, os dois novos impostos em que se baseia a reforma, sendo 0,1% de IBS e 0,9% de CBS.

Ao calcular e recolher esse tributo “duplo” no total de 1%, a empresa poderá abatê-lo dos 9,25% que hoje paga de PIS e Cofins. “As empresas irão calcular os 9,25% do PIS/Cofins e deduzir o 1% do IBS e da CBS”, afirma Tatiana Migiyama, líder da comissão técnica de tributos do Ibef e consultora da Itaúsa, a holding do banco Itaú. “A lei garantiu a neutralidade tributária ou o não-custo da carga tributária.”

Íntegra em https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/03/24/companhias-se-adaptam-aos-novos-tributos.ghtml

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