Por José Adriano
Tem empresa familiar que cresce e vira refém do próprio sobrenome. E tem empresa familiar que cresce, profissionaliza, abre capital, compra, integra, muda de praça, muda de cultura… e ainda assim consegue manter o que importa. Foi sobre esse equilíbrio que eu conversei com a Renata Salvador Grande, VP Comercial e Marketing da Rede Mater Dei de Saúde, no novo episódio do José Adriano Talks, com apoio de BlueTax, MitySafe, Grupo LPJ e KTGroup. Se você vive o desafio de governança, sucessão e inovação em um negócio que precisa continuar humano, esse episódio é para você.
A história começa do jeito que as boas histórias começam: com um sonho simples e exigente. O Dr. Salvador queria levar para o ambiente hospitalar o mesmo atendimento personalizado e humanizado que oferecia no consultório. Daí nasce o Mater Dei, inaugurado em 1980, e a partir daí a trajetória vira uma aula prática de como visão de longo prazo se sustenta por ritos, decisões consistentes e uma cultura que não se negocia.
O que chama atenção é o contraste entre o crescimento “no ritmo tradicional” e o crescimento “no modo aceleração”. Foram décadas construindo com calma, e de repente, em poucos anos, a rede se expande para novas unidades, novas cidades e novos desafios. A conversa entra no ponto sensível: chega um momento em que, para sair do regional e virar nacional, não basta querer. É preciso capital, governança, capacidade de integrar e, principalmente, uma liderança preparada para um jogo mais pesado.
E é aqui que o episódio fica valioso para qualquer empreendedor: sucessão não é um evento, é um processo. A Renata descreve uma transição da segunda geração para o conselho e a entrada estruturada da terceira geração na gestão. O detalhe que muda tudo é que as regras foram pensadas para proteger a empresa, não para acomodar pessoas. Critério claro, exigência alta, experiência fora, formação forte. Sem atalho, sem “é da família, então pode”.
Tem um trecho que eu gostei muito, porque ele diz muito sobre cultura e formação: o avô cobrava leitura, discussão, profundidade. E quando percebeu o momento, puxou a neta para dentro do hospital para aprender na prática, começando do básico, conversando com gente, entendendo operação, vendo o que funciona e o que dói. Muita empresa fala de formação de liderança, mas pouca tem coragem de fazer a liderança suar no mundo real antes de dar crachá de diretoria.
A abertura de capital entra como outra escola pesada. Não é só dinheiro. É disciplina. É reporte. É responsabilidade de curto prazo sem abandonar o longo prazo. É a pressão do trimestre batendo na porta, ao mesmo tempo em que você precisa manter a qualidade, a reputação e o cuidado com o paciente. E tem uma frase implícita no episódio que serve para qualquer CEO: não dá para viver olhando tela de ação. O trabalho bem feito aparece ali depois, ou não aparece.
Quando você sai de uma cultura local e entra em várias praças diferentes, o “jeito de fazer” vira o maior risco. E o episódio mostra maturidade ao falar do tema: integrar é complexo, dá trabalho, exige jornada cultural e exige simplificação. Valores que funcionavam em uma unidade não necessariamente funcionam em outra. A rede revisitou, simplificou e tornou os valores mais aplicáveis, sem perder a missão que sustenta o negócio desde 1980: compromisso com a qualidade pela vida. Tem coisa que pode evoluir. Tem coisa que não pode mudar.
E inovação, aqui, não aparece como palavra bonita. Aparece como execução. A rede investe forte, inclusive com a aquisição da A3 Data, para acelerar aplicações reais de dados e IA. O caso do ciclo da receita é emblemático: construir agentes e automações para atravessar toda a jornada, da entrada do paciente ao faturamento, conciliação, glosa e recurso. É o tipo de inovação que não é “showroom”. É margem, eficiência, previsibilidade e, principalmente, liberar energia do administrativo para reforçar a assistência, sem comprometer a humanização.
O futuro, como era de se esperar, aponta para consolidação, parceria inteligente e posicionamento claro. Nem toda verticalização faz sentido. Nem toda tendência precisa ser seguida. O episódio reforça uma bússola que deve ser levada para a vida: paciente (cliente) no centro, decisão com impacto positivo, e tecnologia como meio, não como fim. Se você quer ouvir essa conversa completa, este episódio está disponível no YouTube e nas plataformas de áudio. E aproveite para maratonar os demais episódios: a proposta do podcast é provocar reflexão executiva com pé no chão, para ajudar empresas a fazerem o certo com segurança, inovação e eficiência.
O podcast José Adriano Talks é apoiado por BlueTax, MitySafe, Grupo LPJ e KTGroup.
Ouça e participe:
O episódio completo está disponível no Spotify e demais plataformas de áudio. Links em https://www.joseadrianotalks.com.br/