PLP 128/2025 – Câmara aprova corte de 10% em benefícios fiscais e taxação para bets, fintechs e Juros sobre Capital Próprio

Por Murillo CamarottoJéssica Sant’AnaBeatriz Roscoe

O plenário da Câmara aprovou na madrugada desta quarta-feira (17) o projeto de lei complementar que corta 10% dos benefícios fiscais vigentes e aumenta a tributação de bets, fintechs e Juros sobre o Capital Próprio. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que participou da articulação com os deputados, espera que a proposta resulte em um aumento de arrecadação da ordem de R$ 20 bilhões em 2026. O texto segue para análise do Senado.

Relator do projeto, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), atendeu ao pedido da equipe econômica para incorporar as medidas de ampliação da arrecadação, que vão ajudar o governo a perseguir a meta fiscal do próximo ano, que é de um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 34,3 bilhões. Por outro lado, flexibilizou o aumento da tributação sobre o regime de lucro presumido.

Após idas e vindas, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu colocar, sob protestos, o texto em votação no plenário. A oposição reclamou do pouco tempo para a análise do parecer do relator, apresentado minutos antes do início da discussão. Antes da reunião com Haddad, Motta conversou ao telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aguinaldo acatou a proposta do governo para cortar em aproximadamente 10% dos benefícios fiscais atualmente existentes, salvo aqueles previstos na Constituição e mais algumas exceções. O deputado também previu regras de acompanhamento de avaliação desses benefícios. A medida deve poupar R$ 17,5 bilhões em gastos tributários.

Por outro lado, o relator estabeleceu que o adicional de 10% de tributação sobre as empresas do regime do lucro presumido vai incidir somente sobre a parcela da receita bruta total que exceda o valor de R$ 5 milhões no ano. No texto proposto pelo governo, o valor era R$ 1,2 milhão. O regime de lucro presumido é usado por empresas que faturam até R$ 78 milhões anuais. Esse era um dos pontos mais polêmicos da proposta, por isso acabou sendo desidratado pelos deputados.

Para compensar, o relator propôs um aumento de 15% para 17,5% do Imposto de Renda (IR) que é retido na fonte dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), uma forma de as empresas remunerarem os acionistas. Esse aumento valerá a partir de 2026 e vai render cerca de R$ 2,5 bilhões. O Partido Novo apresentou um destaque para derrubar a alta do imposto sobre JCP, mas os deputados rejeitaram a tentativa.

O projeto também estabeleceu um aumento da tributação sobre as fintechs e demais instituições financeiras que tinham alíquota reduzida da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A taxa de 9%, por exemplo, deixará de existir e será cobrado 12% em 2026 e 2027 e 15% a partir de 2028. Para os casos em que a alíquota atual é de 15%, os percentuais serão elevados para 17,5% em 2026 e 2027, e para 20% a partir de 2028. O efeito esperado é de R$ 1,6 bilhão.

O texto também propõe um aumento “indireto” na taxação incidente sobre as casas de apostas. Ao longo dos próximos três anos, a fatia das bets sobre a arrecadação cairá de 88% para 85%. Os três pontos percentuais adicionais serão direcionados à seguridade social. O impacto estimado na arrecadação é de R$ 1,7 bilhão em dois anos.

Ainda sobre as bets, o relator incluiu regras que procuram responsabilizar pessoas que divulguem casas de apostas que operem de forma irregular. “Nossa intenção é coibir a proliferação de jogos ilegais que exploram vulnerabilidades da população, sobretudo de baixa renda”.

Para além da questão arrecadatória, o parecer do relator ressuscita recursos de emendas parlamentares empenhadas que não foram liquidadas. O texto autoriza a revalidação de restos a pagar não processados inscritos entre 2019 e 2022 que tenham sido cancelados, permitindo sua liquidação até o final de 2026.

https://valor.globo.com/politica/noticia/2025/12/17/cmara-aprova-corte-de-10-pontos-percentuais-em-benefcios-fiscais-e-taxao-para-bets-fintechs-e-juros-sobre-capital-prprio.ghtml?utm_source=aplicativoValor&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar

Câmara aprova corte de benefícios fiscais, e mais imposto para bets, fintechs e JCP

Por Paulo Barros

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (17), um projeto de lei que reduz em 10% benefícios fiscais federais e aumenta a tributação de apostas on-line, fintechs e juros sobre capital próprio (JCP). O texto foi votado na madrugada desta terça-feira (17), na forma de um substitutivo, e agora segue para o Senado.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/25 reduz em 10% os incentivos e benefícios fiscais federais atualmente em vigor, atingindo mecanismos ligados a tributos como PIS/Pasep, Cofins, IPI, Imposto de Importação, IRPJ, CSLL e contribuição previdenciária patronal.

A proposta altera a Lei de Responsabilidade Fiscal para incluir regras de transparência, controle e avaliação de resultados desses benefícios. A redução será aplicada conforme o tipo de incentivo e o regime de concessão, com regulamentação posterior pelo Executivo.

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Entenda a seguir, ponto a ponto, o projeto que segue para a apreciação do Senado – e que deve ser votado ainda nesta quarta.

Corte de benefícios fiscais

Quais incentivos podem ser reduzidos

A base para o corte inclui os gastos tributários listados no demonstrativo anexo à Lei Orçamentária de 2026 e diversos regimes especiais. Entre os exemplos citados estão:

  • incentivos do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse);
  • benefícios para produtos e serviços específicos, como leasing de aeronaves;
  • regimes como o lucro presumido.

No caso do lucro presumido, o texto permite elevar em 10% a base de cálculo do imposto apenas sobre a parcela da receita bruta anual que exceder R$ 5 milhões.

Impactos em setores específicos

Indústria química

Podem sofrer redução benefícios do Regime Especial da Indústria Química (Reiq) e créditos presumidos de IPI e de PIS/Cofins ligados a produtos farmacêuticos, itens de origem animal ou vegetal, exportações de café e cítricos, além do transporte rodoviário interestadual de passageiros.

Fertilizantes e nafta

Também entram no escopo alíquotas zero de PIS/Cofins concedidas a importadores de fertilizantes, agrotóxicos e nafta petroquímica.

O que fica fora do corte

O projeto preserva imunidades constitucionais e uma série de benefícios, entre eles:

  • Zona Franca de Manaus e áreas de livre comércio;
  • cesta básica nacional definida pela reforma tributária;
  • Simples Nacional;
  • entidades filantrópicas sem fins lucrativos;
  • programas como Minha Casa, Minha Vida e Prouni;
  • desoneração da folha de pagamentos;
  • incentivos à indústria de tecnologia da informação e semicondutores.

Benefícios concedidos por prazo determinado, já condicionados a contrapartidas cumpridas, também ficam preservados se aprovados até 31 de dezembro de 2025.

Limite de incentivos em relação ao PIB

O texto estabelece que, se o total de benefícios e incentivos tributários ultrapassar 2% do Produto Interno Bruto (PIB), ficará proibida a criação, ampliação ou prorrogação de novos incentivos, salvo se houver medidas de compensação fiscal para todo o período de vigência.

Elevação de tributos

JCP: Imposto sobe para 17,5%

O projeto eleva de 15% para 17,5% o Imposto de Renda retido na fonte sobre juros sobre capital próprio pagos por empresas a seus sócios.

Aumento de impostos sobre bets

As apostas de quota fixa terão elevação gradual de tributação:

  • 13% em 2026;
  • 14% em 2027;
  • 15% em 2028.

Metade da arrecadação adicional será destinada à seguridade social e a outra metade a ações de saúde. O texto também cria responsabilidade solidária para quem divulgar publicidade de bets não autorizadas ou mantiver relação com essas plataformas após notificação formal.

Fintechs e instituições financeiras

A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) será aumentada de forma escalonada:

  • fintechs e sociedades de capitalização passam de 15% para 17,5% até o fim de 2027 e para 20% a partir de 2028;
  • outras instituições financeiras, como bolsas e entidades de liquidação, terão a alíquota elevada de 9% para 12% até 2027 e para 15% a partir de 2028.

Quando as mudanças entram em vigor

A maior parte das alterações passa a valer em 1º de janeiro de 2026. Medidas que dependem do prazo de noventena, como a redução de benefícios fiscais e o aumento de tributos sobre bets e CSLL, terão vigência posterior.

Com a aprovação na Câmara, o PLP 128/25 segue agora para o Senado, onde poderá ser mantido, alterado ou rejeitado antes de eventual sanção presidencial.

www.infomoney.com.br

Veja o PLP 128/2025: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2520670

Veja como foi a votação:

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