Por José Adriano
No episódio 20 do José Adriano Talks, eu conversei com a Francis Aquino, diretora de marketing e operações do ORBI ICT e presidente do Conselho de Inovação e Indústria Criativa da ACMinas, sobre por que tanta empresa ainda inova pouco e como mudar agora, com pé no chão, sem modismo e sem “teatro corporativo”.
Inovação não é decoração, é caixa e relevância
A Francis foi direta: não basta criar um “ambiente divertido”, encher a empresa de post-its e dizer que está inovando. Isso pode até ajudar a tirar as pessoas da caixa, mas não garante entrega. Inovação de verdade precisa estar conectada ao planejamento estratégico e gerar retorno. Se não traz caixa, não é inovação. É passatempo corporativo com custo de oportunidade.
Governança é o antídoto do playground
Quando a empresa estrutura projetos com objetivo claro, indicadores e acompanhamento, a história muda. Pode ser via squads, gestão de mudança, PDCA ou outro modelo, o nome é menos importante do que a disciplina: acompanhar, medir, capturar valor e ajustar rota. É o mesmo raciocínio que eu trago quando falo de compliance e governança: sem monitoramento e melhoria contínua, até a melhor intenção vira risco.
IA generativa ajuda, mas não faz milagre sozinha
Entrou IA na conversa e a provocação é ótima: a tecnologia acelera a inovação ou vira desculpa para a empresa “marcar presença” no hype? A resposta passa por propósito. Antes de colocar IA em qualquer lugar, a pergunta certa é “para quê?”, “qual indicador vai melhorar?” e “quem vai usar de verdade?”. Tem empresa comprando licença, distribuindo acesso e depois se frustrando porque quase ninguém usa. A falha não é da IA, é de adoção, treinamento e alinhamento com problema real.
Cultura e liderança: inovação nasce onde o problema mora
Uma das imagens mais fortes do episódio é a liderança “calçar as botas”. O insight não nasce no ar-condicionado, nasce no call center, no chão de fábrica, na visita ao cliente, na rotina da operação. Líder que escuta a ponta com humildade e curiosidade enxerga oportunidades onde outros só veem rotina. E aqui tem um ponto sensível: se o ambiente é de comando e controle, com pouca autonomia, a empresa mata a inovação na origem.
Tamanho não é desculpa: grande, pequena e startup inovam de jeitos diferentes
Empresa grande tem legado, complexidade, cultura acumulada, sistemas e camadas. Empresa pequena tem criatividade, velocidade e pragmatismo, às vezes com uma caderneta que vale mais do que um BI mal usado. Startup precisa provar valor, construir confiança e aprender rápido, sem se apaixonar cegamente pela solução. Cada uma tem seu jogo, mas todas precisam da mesma base: problema claro, execução disciplinada e aprendizado contínuo.
ORBI ICT e a inovação com cara de território
A Francis também trouxe um ponto que eu considero estratégico para quem lidera: inovação que não conversa com o território vira importação de modelo. O ORBI ICT, na Lagoinha, é um exemplo de ecossistema que mistura caos, encontro, teste e conexão entre startups, empresas, academia e poder público. Ao virar Instituto de Ciência e Tecnologia, o ORBI reforça a ponte entre solução prática e base científica, sem perder o compromisso com impacto real e formação de gente. No fim, inovação é menos “Califórnia” e mais resolver problemas locais com identidade, propósito e estratégia.
O podcast José Adriano Talks é apoiado por BlueTax, MitySafe, Grupo LPJ e KTGroup.
Ouça e participe:
O episódio completo está disponível no Spotify e demais plataformas de áudio. Links em https://www.joseadrianotalks.com.br/