Por Beto Silva
Logística é um dos setores que mais vão sofrer mudanças estruturais com a reforma tributária brasileira, iniciada em janeiro e que será gradualmente implementada até 2033. Entre as alterações, a tributação passa a incidir no destino do consumo, o que combate a guerra fiscal. Assim, empresas do segmento são estimuladas a reaproximar seus centros de distribuição dos grandes mercados consumidores.
A mudança inverte uma lógica que, por décadas, incentivou a instalação de CDs em algumas cidades e estados que ofereciam benefícios fiscais. Com a unificação de tributos como ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI em um modelo baseado no valor agregado, decisões logísticas passam a ser guiadas por critérios operacionais e econômicos, como proximidade do consumidor, infraestrutura e eficiência de distribuição.
Localidades com maior concentração de pessoas e atividade econômica devem ser beneficiadas. Nesse cenário, destaque para a Região Sudeste. Segundo dados do IBGE, São Paulo responde por 31% do PIB (Produto Interno Bruto), Rio de Janeiro por 10,5% e Minas Gerais por 9,5%. O triunvirato forma o principal eixo de consumo, indústria e serviços do Brasil.
Segundo Lucilene Prado, advogada tributarista e pesquisadora de reformas tributárias, a reforma corrige distorções históricas na tomada de decisão das empresas.
“Com a tributação no destino, a escolha sobre onde instalar um centro de distribuição deixa de ser fiscal e passa a ser essencialmente econômica e operacional. Isso aproxima as empresas dos mercados consumidores, dos polos industriais e das principais infraestruturas logísticas do país”, afirmou.
Omar Jarouche, CRO da Inventa: decisão alinhada à reforma tributária
Segundo a especialista, a expectativa é de que esse reposicionamento se intensifique ao longo do período de transição da reforma, previsto até 2033. “À medida que os benefícios fiscais estaduais perdem relevância e o novo sistema ganha previsibilidade, as empresas tendem a revisar suas estruturas logísticas de forma mais profunda.”
Agilidade e previsibilidade
Uma das empresas que já começa a se movimentar é a Inventa, plataforma full service que integra indústria, tecnologia e varejo. Na nova dinâmica vislumbrada pela empresa, está a abertura de seu segundo centro de distribuição no Sudeste. Já possui um em São Paulo e agora abrirá outro em Minas Gerais.
Omar Jarouche, CRO da Inventa, observou que a decisão está alinhada às mudanças trazidas pela reforma tributária.
“Atualmente temos um centro de distribuição em São Paulo e já planejamos a implantação de uma segunda unidade em Minas Gerais. Essa estratégia busca maior eficiência logística, redução de prazos de entrega e maior proximidade com fornecedores, indústrias e o consumidor final, em um cenário de crescente exigência por agilidade e previsibilidade”, disse o executivo.
Desafios
Apesar dos pontos positivos das mudanças, como ganhos operacionais, a concentração de centros de distribuição em grandes regiões metropolitanas também gera desafios.
O aumento da demanda por galpões logísticos tende a pressionar os custos de aluguel em áreas estratégicas, além de gerar impactos no trânsito urbano, com maior circulação de caminhões e veículos de carga.
Um contexto que exige planejamento por parte das empresas e ações efetivas do poder público para mitigar gargalos de infraestrutura e mobilidade. Equilibrar eficiência operacional, custos imobiliários e impactos urbanos possibilita que as companhias estejam mais bem posicionadas em um mercado cada vez mais competitivo.
Reforma tributária acaba com guerra fiscal e acelera a volta dos CDs aos grandes centros